Beleza sem padrões: estética ganha espaço como aliada do autocuidado e da autoestima
A relação das mulheres com a beleza atravessa um período de transformação. Se durante décadas determinados formatos de corpo, rosto, cabelo e outras características físicas foram apresentados como referências a serem alcançadas, atualmente cresce a valorização da individualidade, do bem-estar e de escolhas estéticas que respeitem as particularidades de cada pessoa.
Ao longo do tempo, diferentes padrões de beleza foram impulsionados pelas indústrias da moda, dos cosméticos, das dietas e dos procedimentos estéticos. Características como cintura fina, determinados formatos de lábios, nariz e corpo passaram a integrar um imaginário que, muitas vezes, associava beleza à necessidade de enquadramento em modelos específicos.
Essa concepção, entretanto, vem sendo cada vez mais questionada. Para muitas mulheres, cuidar da aparência deixou de significar necessariamente perseguir um padrão estabelecido e passou a estar relacionado à forma como cada uma se percebe e se sente em relação ao próprio corpo.
A Miss Brasil e profissional da área de estética Tatiana Bertoncini defende justamente uma abordagem baseada na individualidade. Pós-graduada em saúde estética, ela considera que os conceitos de beleza mudam ao longo das gerações e não deveriam determinar como uma mulher precisa ser ou parecer.
Para Tatiana, sentir-se confortável com o próprio corpo e rosto deve ocupar posição central nessa relação. A própria definição do que é belo, segundo ela, é subjetiva, já que preferências e percepções estéticas variam de uma pessoa para outra.
Sua experiência em concursos de beleza também contribuiu para ampliar essa reflexão. Depois de conquistar títulos como Miss Goiás e Miss Brasil, Tatiana passou a enxergar a visibilidade proporcionada pelas competições como uma oportunidade para abordar questões relacionadas à autoestima e ao protagonismo feminino.
Estética deve respeitar características individuais
A atuação profissional na área da saúde estética levou Tatiana a defender também cautela na realização de procedimentos. Segundo ela, intervenções estéticas não devem ser realizadas simplesmente para reproduzir tendências ou modificar excessivamente as características de uma pessoa.
Na sua visão, a estética deve estar associada ao autocuidado, ao bem-estar físico e emocional, à autoestima e à adoção de hábitos mais saudáveis. A escolha de qualquer procedimento precisa considerar características individuais, incluindo idade, necessidades e condições de cada paciente.
Essa perspectiva também chama atenção para a importância de evitar exageros. Procedimentos estéticos exigem avaliação individualizada e devem ser realizados por profissionais devidamente habilitados, dentro das competências estabelecidas para cada área de atuação.
Tatiana pretende utilizar sua experiência profissional e a projeção conquistada nos concursos para ampliar o acesso a informações sobre autocuidado. Entre os temas que considera importantes estão cuidados com a pele, saúde, bem-estar e esclarecimentos sobre procedimentos estéticos.
A mudança na maneira de compreender a beleza acompanha uma discussão mais ampla sobre autoestima e liberdade individual. Em vez da busca por um modelo único de aparência, ganha espaço a ideia de que características pessoais não precisam ser substituídas para atender às expectativas externas.
Nesse cenário, a estética passa a ocupar um papel diferente: menos relacionado à reprodução de padrões e mais próximo de escolhas pessoais conscientes. Para Tatiana, beleza e autocuidado podem caminhar juntos quando o objetivo não é transformar alguém em uma referência idealizada, mas contribuir para que cada pessoa se sinta confortável com a própria imagem.
